Educação da PS
Concepções divergentes acerca da pessoa surda
e sua formação tem sido motivo de debates a séculos. Para os oralistas
a pessoa surda precisava ser oralizada, falante como os ouvintes, negava as
diferenças e tentava de todo jeito colocar o surdo dentro de um padrão dito
normal. A surdez era vista como uma falta ou deficiência que precisava ser
corrigida. Os adeptos da Comunicação Total não defendiam uma
linguagem própria dos surdos, todo e qualquer recurso linguístico que estivesse
a serviço da comunicação era aceito. Já no Bilinguismo, a pessoa surda tem
direito a uma educação que contempla duas línguas a de libras como primeira
língua, língua materna e uma segunda língua a da comunidade ouvinte, no nosso
caso a língua portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita.
Desse embate entre abordagens apenas as
pessoas surdas saem perdedoras, ficam descontextualizadas das relações sociais,
segregadas, e excluídas do direito a uma vida plena. Porém, em pleno século
XXI, já não há espaço para esse embate. A PS precisa ser pensada a luz do
pensamento pós-moderno, para Damázio (2010), nessa concepção a pessoa surda é
vista como um ser biopsicossocial, cognitivo, cultural não somente na
constituição de sua subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção
de conhecimento. Ou seja, ela passa a ser vista como uma pessoa descentrada, com
potencial, capaz, produtivo e constituído de várias linguagens.
A partir dessa nova concepção da pessoa surda
a escola também precisa ser repensada, uma vez que sua prática está
ultrapassada e já não atende mais as demandas do século XXI, seja para os ditos
“normais”, seja para os deficientes, seja para as pessoas surdas. No que se
refere a pessoa surda a questão sempre girou em torno da linguagem, mas hoje já
esta mais que provado que o problema do fracasso escolar entre os surdos está
diretamente ligado a práticas pedagógicas que não contemplam as diferenças
existentes no mundo diverso da sala de aula, sejam elas sociais, biológicas ou
culturais. Damázio (2010), afirma que o foco do fracasso escolar não está na
língua em si, mas na qualidade e na eficácia das práticas pedagógicas. Dai conclui-se
que a escola precisa ser pensada não de forma isolada, mas inserida em um
complexo de relações que incluem a sociedade e a cultura, mas que ao mesmo
tempo veja as pessoas em suas singularidades.
Em consonância com esse pensamento é que a
abordagem bilíngue se destaca em relação às outras como uma concepção que
respeita o sujeito surdo em suas especificidades, mas não o exclui das relações
sociais nem culturais. Aqui a diferença é
motivo de enriquecimento, é o diverso e portanto, precisa ser tratado
como tal suas diferenças são respeitas, mas ele não é segregado de espaços
sociais como a escola comum. Essa concepção coaduna com os ideais da inclusão
uma vez que oferece a pessoa surda amplas possibilidades sociais e educacionais
(Damázio, 2010). Para que essas possibilidades sejam ampliadas é que a escola
conta com o Atendimento Educacional Especializado das Salas de Recursos
Multifuncionais.
Nesse espaço a proposta pedagógica deve
desenvolver-se em um ambiente bilíngue, usando a (L1) Libras e a (L2) Língua
Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita. Para Damázio o ensino
nesse espaço deve estruturar-se em três momentos distintos: AEE
em libras – seu principal objetivo é antecipar à pessoa surda os
conteúdos que serão trabalhados na sala comum para que o aluno tenha um melhor
aproveitamento dos conceitos utilizados, o AEE de libras – visa garantir ao
aluno surdo o acesso à língua de sinais, libras, favorecendo o conhecimento e a
aquisição de termos científicos que serão usados na sala comum e o AEE
de Língua Portuguesa que visa desenvolver competências linguísticas e
gramaticais para que o aluno seja capaz de compreender sequencias linguísticas e
produzir textos.
Pensar o AEE para PS requer pensar práticas
pedagógicas que estejam pautadas no compromisso e na responsabilidade, que se
pense em metodologias que estejam a serviço de potencializar as habilidades e
favoreçam a eliminação das barreiras que separam os surdos dos ouvintes.
