No inicio
do texto “O modelo dos modelos” de Ítalo
Calvino percebemos que Sr. Palomar tem um desejo: construir em sua mente um modelo único que se aplicasse
a toda a diversidade da realidade. Contrario a esse desejo ele via que a
paisagem humana conseguiam distorcer as linhas do seu desenho mental.
Ao
transportar as ideias desse texto para nossa
realidade escolar percebemos que esse desejo de homogeneizar está
intrinsicamente presente em nossa sociedade. Nas escolas vemos que a maioria
dos professores deseja turmas homogêneas nas quais todos aprendam do mesmo
jeito, de preferencia o jeito do professor, todos tenham a mesma idade, todos
tenham as mesmas ideias e assim por
diante.
A
aplicação de um mesmo padrão de atividades para todos, sem levar em conta as
especificidades de cada um, como se todos fossem iguais e aprendessem da mesma
forma é o modelo que se configura na mente de alguns professores que insistem
em levar adiante essa ideia da homogeneização.
A
“ingenuidade” de acreditar que um modelo único seja capaz de se aplicar a uma
“instituição complexa” como a escola para resolver os problemas escolares e
sociais tem feito com que a nossa educação esteja frequentemente mergulhada em
altos índices de fracasso escolar. Na prática social, esse modelo não funciona
e a tendência é a pessoa que acredita nisso querer obrigar o outro a segui-la a
qualquer custo, quando isso não acontece a tendência é promover a segregação.
Essa
segregação, tem acontecido a muitos anos com as pessoas deficientes por
acreditarem que eles não seriam capazes de desenvolver capacidades que os
habilite a vida em sociedade. Porém, paralelo a esse modelo de pensamento que
separa e exclui e com as políticas de inclusão foi criado o AEE (Atendimento
Educacional Especializado).
Nesse
espaço não há lugar para esse pensamento homogeneizador, lá é lugar de
heterogeneidade, todos são diferentes e precisam de um olhar específico, olhar
esse que busque desenvolver suas potencialidades. O professor do AEE precisa
promover atividades que desenvolvam as potencialidades da pessoa com
deficiência sem que as suas limitações sejam empecilho para inclusão em todos
os espaços sociais.
A grande
missão do professor do AEE é desconstruir modelos propostos pela nossa
preconceituosa sociedade escolar no qual são valorizados a quantificação, a
avaliação e a comparação em detrimento do que é mais importante, o
desenvolvimento do ser humano e consequentemente de uma sociedade mais
igualitária.






